Moralidades do consumo envolvidas no uso de Inteligência Artificial por trabalhadores da comunicação
Resumo
Este estudo analisa as moralidades do consumo da Inteligência Artificial (IA) em ambientes de trabalho, perguntando como se configuram, nos níveis macro, meso e micro, os dilemas e juízos éticos que atravessam essa prática A crescente adoção da IA como ferramenta de trabalho por profissionais de comunicação e marketing suscita importantes questões sobre os juízos morais em torno dessa prática. Tais questões abrangem desde a falta de regulamentações consistentes para o uso indiscriminado de IA por trabalhadores para aperfeiçoar, ou mesmo realizar de forma integral suas tarefas, à precarização do trabalho por meio de contratação de mão de obra barata para potencializar o alcance de perfis em redes sociais. O status de modernidade e inovação coexiste com a ameaça de substituição da mão de obra de alguns segmentos profissionais e a necessidade de um uso ético e responsável das tecnologias, o que pode, simultaneamente, legitimar ou tornar esse consumo mais ou menos responsável. Atualmente, profissionais de marketing e comunicação enfrentam o dilema de usar IA em suas atividades, lidando com a falta de regulamentação, com pressões sociais e simbologias acerca da moralização do consumo de tecnologia em ambientes de trabalho, mas ainda sem saber qual rumo seguir.