Harmonização facial alogoritmizada e instagramável: uma análise do consumo estético e da economia da atenção a partir do “antes e depois”
Palavras-chave:
Algoritmização da beleza; economia da atenção do instagram; consumo; harmonização facial.Resumo
O presente trabalho investiga possibilidades de intersecção entre a algoritmização do consumo e a economia da atenção a partir da análise das postagens de harmonização facial no Instagram, com foco específico no formato visual de “antes e depois”. O Instagram, enquanto plataforma proeminente na cultura de conectividade da imagem (VAN DIJCK, 2016), atuando assim como uma espécie de vetor de estímulos algorítmicos, transformando a aparência em mercadoria de alto valor atencional. A disseminação massiva da harmonização facial, impulsionada por influencers e profissionais, estabelece padrões de beleza idealizados e inatingíveis (ECO, 2010; 2015 intensificando a pressão social e a insatisfação com a autoimagem, cada vez mais ciborguizada (HARAWAY, 2009) por elementos particulares da interface actante entre humanos e não-humanos (LATOUR, 2019), que, por sua vez, torna a própria harmonização facial um ator nesta rede. Neste sentido, uma a algoritmização do feed e dos anúncios atua como um mecanismo de reforço comportamental (TURKLE, 2005), personalizando o conteúdo e amplificando a visibilidade do “antes e depois”. Este formato, ao capitalizar o contraste imediato e dramático, se torna uma ferramenta de convencimento eficaz que pode estimular o consumo por impulso de procedimentos estéticos (MACHADO, 2023). A arquitetura da plataforma e a lógica da economia da atenção operam de forma a manter o usuário engajado, convertendo o tempo de tela em potencial de consumo. Para tanto, analisa-se criticamente como o formato “antes e depois” da harmonização facial, potencializado pelos algoritmos do Instagram, influencia a percepção estética e impulsiona o consumo de procedimentos, dentro do contexto da economia da atenção. Para tanto, adota-se uma abordagem qualitativa e exploratória, combinando a observação online não participante de perfis e hashtags relevantes (como: #harmonizaçãofacial, #antesedepois) com a análise de conteúdo (BARDIN, 2016) das postagens. A análise se concentrará nos elementos visuais (filtros, edição, angulação), textuais (narrativas de transformação, chamada para ação) e nas métricas de engajamento (curtidas e comentários), buscando identificar a construção narrativa do sucesso estético e a eficácia da atenção capturada. Portanto, busca-se evidenciar o papel dos algoritmos na criação de “bolhas” (PARISER, 2012) estéticas que limitam e padronizam autoimagens por meio do formato “antes e depois”, utilizado para hipersimplificar e comercializar a intervenção estética, alinhando a busca por procedimentos com a lógica mercadológica da satisfação instantânea e da performance em rede.