Usuário
a utopia da diferença
Palavras-chave:
Usuário; utopia; diferença; quinto poder; cibercultura.Resumo
A escrita desse artigo se justifica pela importância do reconhecimento desse espírito utópico sempre tão inexistente, mas cuja inexistência hoje nos parece tão sólida e alcançável, mesmo sob a ameaça presente e fronteiriça de sua mesma distopia. A fronteira que não precisava existir mais é a fronteira definida pelas big techs, uma fronteira que não existia no início, no nascimento que as gerações mais velhas testemunharam e viram nascer, hoje já incorporadas no DNA das crianças e dos jovens. A aceleração do eletrônico trouxe consigo a aceleração também da desesperança sobre uma utopia possível. No rompimento das promessas de uma geração a outra, de uma tecnologia a outra, enquanto modus operandi do sistema capitalista que emerge da tipografia, hoje temos dentro da evolução digital eletrônica as promessas de riqueza e emancipação trazidas pela terra eletrônica que se repetem no nascimento da inteligência dessa mesma terra utópica. É a genética da inteligência artificial que é esse pensamento sem corpo, fruto de uma terra inexistente e sem fronteiras, pegando carona na fé e na crença dessa massa de usuários que já trabalham para pagar a parcela dos smartphones em um mundo onde ninguém consegue nada sem ter uma conexão à essa mesma terra utópica, sem estar conectado ou condicionado ao pensamento utópico que se trasveste de inteligência artificial. A utopia da diferença então se materializa não na terra sem fronteiras da ilha de Thomas More, nos mapas sem fronteiras que é a world wide web, mas no corpo que sangra sua própria distopia, a base de sua crença ferida, de sua fé mal paga e sofrida em nome de um Deus transmutado em rede viva que pulsa de dentro para fora de cabos, satélites e dispositivos eletrônicos feitos de plástico. A utopia da diferença, vista assim, é uma obrigação, uma opção compulsória, um constante “se ficar o bicho come, se correr o bicho pega”. Mas buscando uma comparação aos raciocínios de Han, já não existe a diferença entre o bicho e nós: habitamos todos a mesma utopia da diferença. Somos todos o mesmo usuário.