Entre rios e algoritmos: governança das Big Techs, plataformização e resistências no jornalismo digital em Manaus
Palavras-chave:
Jornalismo Digital, Big Techs, Jornalismo digital em Manaus, Plataformização, Soberania digital, Ideologia CalifornianaResumo
Com o avanço das telecomunicações e das tecnologias digitais, a informação consolidou-se como ativo econômico estratégico, moldando novas dinâmicas de poder e circulação. A ascensão do Vale do Silício e de suas Big Techs instaurou um novo regime de produção e distribuição de conteúdo, no qual empresas tecnológicas, por meio de suas plataformas, assumiram papéis antes exercidos pelas instituições jornalísticas, redefinindo o sistema midiático contemporâneo. No Brasil, essa reconfiguração adquire contornos específicos devido às assimetrias de infraestrutura e conectividade que evidenciam distâncias entre centros e periferias informacionais. Na Amazônia, essas desigualdades são ampliadas por limitações técnicas e tensões geopolíticas, que impactam diretamente o jornalismo local. Este artigo analisa como a plataformização promovida pelas Big Techs interage com o jornalismo digital de Manaus, investigando as formas de governança tecnológica exercidas sobre o território informacional amazônico. Fundamentada na crítica à Ideologia Californiana, a pesquisa articula discussões sobre plataformização do jornalismo, governança algorítmica e desigualdades regionais, compreendendo as plataformas como instrumentos de controle e militarização simbólica do espaço informacional. Com metodologia qualitativa e tipologia híbrida, foram realizadas entrevistas com representantes da Amazônia Real, Revista Cenarium, Vocativo e o jornalista Mário Adolfo, buscando compreender estratégias de adaptação e resistência diante da dependência tecnológica e da subordinação algorítmica. A análise de conteúdo, baseada em Bardin (2011), abrangeu modelos de negócio, uso de redes e ferramentas de trabalho. O estudo justifica-se pela escassez de pesquisas sobre o jornalismo digital na região Norte, especialmente em Manaus, cuja realidade evidencia as tensões entre controle corporativo e soberania comunicacional em territórios periféricos.