ABCIBER | Simpósios, II Encontro Regional Centro-Sul da ABCiber

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Inteligências artificiais e o problema da memória
Alexandre Quaresma

Última alteração: 2019-05-09

Resumo


Dentre as notáveis tecnologias emergentes da atualidade, oriundas das ciências de fronteira, figuram as Inteligências Artificiais, ou, mais simplesmente, IA. Em inglês AI (Artificial Intelligences). Elas sustentam dois dos quatro principais pilares da chamada Convergência Tecnológica NBIC (Nano-Bio-Info-Cogno) que vem transformando o mundo. As pesquisas em IA abrangem mais diretamente os dois últimos pilares dessa convergência (Info e Cogno), ainda que os outros dois (Nano e Bio) também façam de muitas maneiras parte de suas zonas estratégicas em termos de materiais, estruturação e eficiência ”“ no caso do pilar Nano ”“, e de interesse especí­fico como modelo exemplar de inteligência e consciência ”“ no caso do pilar Bio. Além disso as IA também congregam esforços multidisciplinares de pesquisa e desenvolvimento fartamente patrocinados em diversas áreas dessa mesma convergência tecnológica supracitada, congregando áreas como a robótica, a mecatrônica, as ciências computacionais ”“ dentre muitas outras ”“, que quase sempre trabalham no sentido de dotar sistemas cibernético-informacionais artificiais com níveis cada vez mais elevados de eficiência, automação, sofisticação conceitual e prática computacional, que são destinados às mais diferentes finalidades e aplicações no mundo cotidiano humano atual. Em outros termos, buscam-se sistemas que façam coisas que nós humanos acreditamos que sejam inteligentes quando feitas por nós. Uma outra ideia central para as IA é tentar um possível tratamento determinístico e matemático para o fenômeno da complexa atividade cerebral, da qual ”“ como sabemos ”“ emerge graciosamente a mente, a inteligência e a consciência. É importante destacar que o referido campo (IA) se encontra em franca ascensão, modificando realidades, levando a diante as fronteiras da ciência, criando novos paradigmas, o que tem provocado uma verdadeira revolução. O que significa dizer também que, o fato de estarmos engendrando e instanciando níveis cada vez mais profundos e potentes de inteligência artificial nos objetos inanimados de nosso cotidiano, está nos levando à necessidade de enfrentamento de questões teóricas e práticas de fato novas que, com efeito, emergem junto com as próprias tecnologias cibernético-informacionais e computacionais concernentes às IA. Diante desse panorama, o objetivo desse artigo é confrontar as inteligências artificiais e as inteligências biológicas, e a partir disso tentar contextualizá-las na dinâmica do próprio processo cosmológico e bioevolutivo, demonstrando as principais diferenças existentes entre esses dois tipos de sistemas, suas qualidades e especificidades. Pretendemos avaliar também alguns cenários sociotécnicos que compõem o estado atual da arte, e, a partir deles, tecer algumas poucas especulações crítico-teóricas sobre o futuro das sociedades contemporâneas em interface com seus extraordinários constructos em IA.


Palavras-chave


Inteligências artificiais (IA), cosmologia, bioevolução, vida, inteligência, consciência, sociedades, tecnociências, ciências cognitivas, filosofia crítica da tecnologia, teorias sistêmica e da complexidade.