ABCIBER | Simpósios, II Encontro Regional Centro-Sul da ABCiber

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A GALÃXIA DE ZUCKERBERG - a formação do narrador eletrônico
Davi Junqueira Marin

Última alteração: 2019-03-25

Resumo


O texto tem por objetivo chegar a um conceito de narrador que abrace toda a complexidade das escritas nas redes eletrônicas. Para tanto, o Facebook foi eleito como objeto de estudo para ilustrar o raciocínio apresentado juntamente com os conceitos debatidos não apenas pela sua amplitude em termos de diversidade de uso, mas enquanto produto que também simboliza certa unanimidade em nosso contexto de pesquisa dentro de um ambiente ainda maior, o que chamamos aqui de Galáxia de Zuckerberg na esteira das obras de Marshal McLuhan.

A partir da crítica que Walter Benjamin estabelece em O narrador, buscamos uma análise de conceitos clássicos provenientes do universo tipográfico trazidos por autores como Paul Ricoeur, principalmente, e Gérard Genette e Roland Barthes em segundo plano, juntamente com Todorov.

Embora nossa cronologia de trabalho seja ultra contemporânea, atualíssima, o debate dos conceitos remonta a antiguidade clássica, a Idade Média e os tempos modernos marcados pelo surgimento da prensa de Gutenberg, quando se inicia o processo que Benjamin vai chamar de morte da experiência, ou morte do narrador.

Ao ilustrarmos uma análise do que estamos chamando de escrita em rede, de narrativa real time através de exemplos extraídos de perfis do Facebook, demarcamos o nascimento dessa nova galáxia de mídia que surge no ápice do século XX e que fez amadurecer a tipografia ao mesmo tempo em que brilharam novas técnicas mecânico-elétricas de reprodução de artes e de contação de histórias, ou de reprodução artificial da experiência, como coloca Benjamin.

Assim, ao emparelharmos grandes autores em suas grandes obras, como McLuhan e Benjamin, conseguimos uma visão de conjunto sobre o que pode ser a nova era eletrônica justamente a partir do estudo da transposição do mÅ·thos em Paul Ricoeur através de conceitos como ponto de vista e tempo na composição das narrativas.

A ideia central é a de que novas faces não mudam os velhos hábitos, e que apesar de novas mídias trazerem em seu bojo a necessidade da revisão de temas e atualizações conceituais, o cerne das questões e os hábitos são atemporais e obedecem sempre a uma mesma estrutura, independente de seu contexto ou de seu suporte tecnológico.

Concluindo de forma poética assim como é trabalhada a questão durante todo o percurso, vamos concordar com Walter Benjamin sobre a morte do narrador, mas vamos também concordar com Marshal McLuhan ao dizermos que ele pode estar renascido em sua nova aldeia global. â–ª


Palavras-chave


narrador; galáxia; mythos; glocal; audiente.