ABCIBER | Simpósios, II Encontro Regional Centro-Sul da ABCiber

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Teoria do duplo vínculo e a interatividade na educação
Letícia Ferreira Frigo

Última alteração: 2019-05-09

Resumo


Resumo

O presente trabalho versa sobre a teoria do duplo vínculo desenvolvida por Gregory Bateson e relaciona-o a ideias desenvolvidas por outros autores. Tendo como objetivo, analisar as relações de aprendizagem e processos cognitivos baseados na troca de informações entre sujeitos e o equilíbrio oriundo desta relação. A cismogênese assimétrica auto-regula a relação entre os membros do grupo, criando e conservando as diferenças entre os elementos, a fim de dimensionar o papel do outro como modelo de imitação. O sujeito considerado assertivo, desperta uma situação competitiva no relacionamento, impulsionando o outro a se ajustar segundo o padrão estabelecido. A cismogênese simétrica inicia-se também de uma ação competitiva entre os integrantes, porém os grupos se auto- regulam de forma equilibrada, havendo uma equiparação entre os sujeitos em relação à troca de informação através da contextualização na recepção das informações.  Diante desta perspectiva, diferenças tornam-se elementos capazes de promover uma amplitude de contextos e a interação entre os membros amplia o leque de situações favorecendo a troca de experiências entre os envolvidos e reescalonando o contexto da situação em jogo. Para Bateson o erro é uma é uma tentativa de acerto ainda não realizada, que oferece a oportunidade ao sujeito de reavaliar os resultados e refazer processos. Observar, imitar, competir e refazer procedimentos, com a finalidade de realizar uma determinada tarefa de forma assertiva, inclui mecanismos de autocorreção. Para o autor, errar faz parte da vida evolutiva do humano e não pode ser descartada do processo de aprendizagem. A autocorreção faz parte da deuteroaprendizagem, pois torna o individuo capaz de reorganizar seu comportamento frente às mudanças e abstrações. As informações testadas e armazenadas determinam as escolhas do indivíduo, alterando seus mecanismos básicos de autorregulação.  Sob essa ótica, o sujeito passa a resolver problemas cada vez mais complexos, baseado nas experiências adquiridas e também na capacidade de abstrair, pois compreende relações de contexto, e passa a ajustar as respostas às condições do ambiente, analisando as complexidades e circunstâncias podem modificar as respostas esperadas, passando da entropia a neguentropía.  Para o autor, os sistemas tendem a desintegração, exceto quando se tornam flexíveis, interativos e complexos. Ele esclarece sobre a necessidade de uma mudança adaptativa e crê que os organismos sociais e ecológicos sejam capazes de fazê-la. Os organismos deuteroaprendem quando se tornam evolutivamente complexos e essas mudanças adaptativas dependem da retroação proveniente tanto da seleção natural ou do esforço individual.


Palavras-chave


aprendizagem, cismogênese, interatividade, troca de informações, deuteroaprendizagem, diferenças.