{"id":14614,"date":"2024-05-10T17:58:48","date_gmt":"2024-05-10T20:58:48","guid":{"rendered":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/?p=14614"},"modified":"2024-05-11T03:07:55","modified_gmt":"2024-05-11T06:07:55","slug":"priscila-magossi-submundo-e-violencia-neuronal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/2024\/05\/10\/priscila-magossi-submundo-e-violencia-neuronal\/","title":{"rendered":"Priscila Magossi: Submundo da Cibercultura e Viol\u00eancia Neuronal"},"content":{"rendered":"\n<p>FONTE:&nbsp;<a href=\"https:\/\/juristas.com.br\/noticias\/submundo-e-violencia-neuronal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/juristas.com.br\/noticias\/submundo-e-violencia-neuronal\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por&nbsp;<a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9109055563644041\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9109055563644041\">Priscila Magossi<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">I \u2013 SOCIEDADE DO CANSA\u00c7O E POSITIVIDADE T\u00d3XICA<\/h4>\n\n\n\n<p>A \u201c<em>Sociedade do Cansa\u00e7o<\/em>\u201d (2015), nomeada pelo fil\u00f3sofo coreano Byung-Chui Han, \u00e9 compreendida pelo cansa\u00e7o oriundo do esvaziamento da vida em prol da cultura do desempenho. De acordo com o autor, as m\u00e9tricas comerciais (avalia\u00e7\u00f5es, seguidores, curtidas, visualiza\u00e7\u00f5es, e assim por diante) correspondem a um novo sistema de puni\u00e7\u00e3o institucional, que objetiva definir hierarquias e combater o concorrente. Nesta cultura da alta performance, os indiv\u00edduos s\u00e3o sugestionados a se verem como empres\u00e1rios de si mesmos, a cobrarem a pr\u00f3pria produtividade e efici\u00eancia, tornando-se vigilantes e carrascos de suas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Quem fracassa na sociedade neoliberal de desempenho, em vez de questionar o sistema, considera a si mesmo como respons\u00e1vel e se envergonha. No regime neoliberal de autoexplora\u00e7\u00e3o, a agress\u00e3o \u00e9 dirigida contra n\u00f3s. Ela transforma os explorados em depressivos (HAN, 2018, p.16)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, as empresas transformam seus colaboradores em rob\u00f4s que desconhecem seus limites humanos, e trabalham com a imposi\u00e7\u00e3o de metas cada vez mais desumanas. Os efeitos colaterais desse discurso motivacional \u00e9 a&nbsp;<strong>viol\u00eancia neuronal<\/strong>, que se d\u00e1 por meio da \u201c<strong>positividade t\u00f3xica<\/strong>\u201d do est\u00edmulo, efici\u00eancia e reconhecimento social pela supera\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es. Essa sistem\u00e1tica traz como sintoma o esgotamento f\u00edsico e ps\u00edquico, a depress\u00e3o e a ansiedade como complementos b\u00e1sicos do abandono dos pr\u00f3prios limites emocionais.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">II \u2013 O SUBMUNDO DOS SINTOMAS<\/h4>\n\n\n\n<p>De acordo com Marilena Chau\u00ed (2023), a mulher \u00e9 ilusoriamente apresentada como empres\u00e1ria de si pr\u00f3pria, mas subordinada \u00e0 uberiza\u00e7\u00e3o do trabalho. Assim, o sal\u00e1rio \u00e9 substitu\u00eddo pela renda individual. Nessa perspectiva, a trag\u00e9dia est\u00e1 no fato de que n\u00e3o se trata somente de uma trabalhadora pobre, mas de uma mulher cuja psique \u00e9 alimentada pelo medo, pela perda da autoestima, e pela ilus\u00e3o da meritocracia da culpa, da competi\u00e7\u00e3o. Nesse esquema draconiano, a mulher \u00e9 encorajada a seguir m\u00e9tricas comerciais perversas. Assim, \u00e9 destinada \u00e0 concorr\u00eancia mortal entre os pares, o que destr\u00f3i a possibilidade de sororidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do submundo er\u00f3tico, as v\u00edtimas tamb\u00e9m est\u00e3o submetidas \u00e0 tirania do desempenho m\u00e1ximo, da positividade t\u00f3xica e da viol\u00eancia neuronal. Entre as principais metas comerciais de uma produtora de conte\u00fado er\u00f3tico na rede \u00e9 poss\u00edvel citar:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>As performances, os di\u00e1logos, as fotos e at\u00e9 mesmo os sorrisos das mulheres nos&nbsp;<em>sites<\/em>&nbsp;adultos s\u00e3o ref\u00e9m de diretrizes comerciais que objetivam a&nbsp;<a href=\"https:\/\/juristas.com.br\/2023\/06\/03\/reprogramacao-algoritmica-da-sexualidade\/\">reprograma\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica da sexualidade<\/a>.<\/li>\n\n\n\n<li>O tr\u00e1fego de usu\u00e1rios dos&nbsp;<em>sites<\/em>&nbsp;adultos \u00e9 redirecionado com base nos algoritmos e&nbsp;<em>feeds<\/em>&nbsp;hipersegmentados que visam atingir m\u00e9tricas comerciais das empresas.<\/li>\n\n\n\n<li>As mulheres precisam aprender o que fazer para subir o engajamento,<\/li>\n\n\n\n<li>Conquistarem seguidores e fideliz\u00e1-los para monetiz\u00e1-los;<\/li>\n\n\n\n<li>Adaptarem-se \u00e0 rotina das publica\u00e7\u00f5es das fotos e v\u00eddeos com poses espec\u00edficas,<\/li>\n\n\n\n<li>Aprenderem a produzir&nbsp;<em>stories<\/em>&nbsp;di\u00e1rios, agendarem m\u00eddias, e assim por diante.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;<\/em><em>Conforme demonstrado, a produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o e oferta das performances er\u00f3ticas na rede \u00e9 um trabalho meticuloso. Portanto, \u00e9 o oposto do exerc\u00edcio livre da sexualidade feminina.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sem motivos, os casos de depress\u00e3o, transtornos afetivos de humor e&nbsp;<em>burnout&nbsp;<\/em>nas v\u00edtimas comprovam que h\u00e1 algo de desumano nesta&nbsp;<em>viol\u00eancia neuronal<\/em>&nbsp;(HAN, 2015). Entre os principais agravantes patol\u00f3gicos destacam-se: Transtornos Espec\u00edficos da Personalidade (CID10XF60), com casos majorit\u00e1rios de Transtorno de Personalidade Histri\u00f4nica (CID10xF60.4) e Transtorno de Personalidade Borderline (CID10xF60.3); Transtorno Afetivo Bipolar (CID10xF31); Transtornos Ansiosos (CID10XF41), com \u00eanfase para casos de Transtorno de P\u00e2nico (CID 10xF41.0), Ansiedade Generalizada (CID10xF41.1), Transtorno Misto Ansioso e Depressivo (CID 10xF41.2); Transtornos Depressivos (CID10XF33); Transtornos de Alimenta\u00e7\u00e3o (CID10x F50).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, as v\u00edtimas s\u00e3o engolidas pela positividade t\u00f3xica do sistema. Com isso, as mulheres s\u00e3o esvaziadas dos seus afetos e desconhecem os seus limites. Como consequ\u00eancia de m\u00e9tricas comerciais cada vez mais desumanas, \u201co indiv\u00edduo se explora e acredita que isso \u00e9 realiza\u00e7\u00e3o\u201d (HAN, 2015).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">III &#8211; INFANTILIZA\u00c7\u00c3O DO SUBMUNDO DA CIBERCULTURA<\/h4>\n\n\n\n<p>Entretanto, para camuflar a exist\u00eancia de uma classe trabalhadora submetida a condi\u00e7\u00f5es insalubres \u2014 e inconstitucionais \u2014, todos os an\u00fancios publicit\u00e1rios enquadram-se no arco da \u201c<em>Fetichiza\u00e7\u00e3o imag\u00e9tica e idiotiza\u00e7\u00e3o tecnocultural\u201d<\/em>. O autor Eug\u00eanio Trivinho (2021) caracteretiza o fen\u00f4meno como&nbsp;<em>franja da infantiliza\u00e7\u00e3o p\u00f3s-industrializada da cultura<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<p>O conjunto envolve, especificamente, imagens editadas ou retrabalhadas, n\u00e3o raro com fun\u00e7\u00e3o de meme, pe\u00e7a digital de viol\u00eancia simb\u00f3lica desferida (e obliterada) sob a capa de chiste pretensamente inofensivo e que se irradia atrav\u00e9s de redes interativas. Sob colagem de fatores figurativos, sonoros e\/ou textuais, ext\u00e1ticos ou em movimento (v\u00eddeos e&nbsp;<em>gifs<\/em>), esse mosaico implica menos os&nbsp;<em>emojis<\/em>, alfabeto ic\u00f4nico japon\u00eas para representar sentimentos particulares em correspond\u00eancia digital (ibidem).<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de acordo com Trivinho o objetivo de todos esses signos \u00e9 cultivar \u201c<em>la\u00e7os de afeto sob relativa garantia de empatia imediata, rea\u00e7\u00e3o alegre e conforto emocional<\/em>\u201d. Para o autor, trata-se de uma fetichiza\u00e7\u00e3o imag\u00e9tica, relativamente padronizada que calcifica emo\u00e7\u00f5es em rota est\u00e9tica e reducionista. Do ponto de vista psicoemocional e da rela\u00e7\u00e3o com a exist\u00eancia, Trivinho associa \u00e0 \u201c<em>queda irrefletida de um p\u00e1tio intelectual inteiro \u2013 mais um \u2013, em ladeira subcultural conhecida: desafortunadamente, essa oferta imag\u00e9tica n\u00e3o deixa de (re)fomentar at\u00e9 mesmo uma idiotiza\u00e7\u00e3o tecnocultural tardia, egressa desde, pelo menos, a segunda metade do s\u00e9culo 20<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na obra, \u201cA Sociedade do Espet\u00e1culo\u201d (1997), Debord define o espet\u00e1culo&nbsp;<em>medi\u00e1tico<\/em>&nbsp;como constru\u00e7\u00e3o artificial e comercial de signos autorit\u00e1rios que mentem quanto ao valor do que representam. Para o autor, o palco&nbsp;<em>medi\u00e1tico<\/em>&nbsp;\u00e9 uma ferramenta extremamente atrativa e imperativa para substituir valores e identidades, e, em seu lugar, implantar desejos e estere\u00f3tipos de consumo com base em ideologias pautadas em diretrizes comerciais. Nessa \u00f3rbita de fatores, observa-se o quanto o submundo reduz a pot\u00eancia do v\u00ednculo comunicativo a simples ideia de trocas de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A palavra conex\u00e3o vem do latim&nbsp;<em>connect\u014d<\/em>, composto pelas ra\u00edzes&nbsp;<em>con<\/em>&#8211; +\u200e&nbsp;<em>nect\u014d<\/em>&nbsp;que querem dizer \u201cvincular-se com\u201d.&nbsp; No texto \u201c<em>Corpo e imagem: comunica\u00e7\u00e3o, ambientes, v\u00ednculos\u201d<\/em>, Baitello Jr. (2008, p. 100) esclarece que a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9&nbsp;<em>\u201cuma atividade vinculadora entre duas inst\u00e2ncias vivas\u201d<\/em>, e n\u00e3o mera troca de informa\u00e7\u00f5es. Sobre a tem\u00e1tica, Ciro Marcondes Filho (2014, p. 590) reflete sobre os v\u00ednculos comunicativos em contexto medi\u00e1tico:<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido tamb\u00e9m podemos considerar a contribui\u00e7\u00e3o do estudo dos v\u00ednculos comunicativos para um alargamento da compreens\u00e3o sobre os meios de comunica\u00e7\u00e3o, entendendo-os como espa\u00e7os (f\u00edsicos ou simb\u00f3licos) nos quais essa rede de vincula\u00e7\u00e3o deve operar numa escala socialmente maior do que a da comunica\u00e7\u00e3o interpessoal, e refletindo sobre se esses meios t\u00eam ou n\u00e3o, de fato, desempenhado esse papel, ou se se tornaram meros espa\u00e7os funcionais por onde transitam informa\u00e7\u00f5es ass\u00e9pticas e vazias de sentido, apenas quantitativa e mercadologicamente consideradas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em continuidade ao pensamento de Ciro Marcondes Filho, a autora Malena Segura Contrera (2014) alerta sobre a diferencia\u00e7\u00e3o entre trocas comunicativas e rela\u00e7\u00f5es comerciais:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00c9 importante que fa\u00e7amos uma ressalva acerca do fato de que \u00e9 a desconsidera\u00e7\u00e3o do papel do v\u00ednculo para a comunica\u00e7\u00e3o que colabora na manuten\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o empobrecida sobre o processo comunicativo, muitas vezes conferindo \u00e0s trocas de informa\u00e7\u00e3o seu aspecto central (&#8230;) Ao considerarmos os processos de vincula\u00e7\u00e3o, lan\u00e7amos um novo sentido \u00e0s rela\u00e7\u00f5es comunicativas, evitando uma concep\u00e7\u00e3o de que trocas comunicativas se assemelham a meras rela\u00e7\u00f5es comerciais e instrumentais, e chamando a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia dos processos de significa\u00e7\u00e3o constitu\u00eddos nessas rela\u00e7\u00f5es (ibidem, p. 354)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A cita\u00e7\u00e3o da autora deixa claro que trocas de informa\u00e7\u00e3o precificadas, tais como essas que ocorrem entre as v\u00edtimas internas e externas do submundo,&nbsp;<strong><em>n\u00e3o<\/em><\/strong>&nbsp;s\u00e3o pr\u00e1ticas humanas de vincula\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>com&nbsp;<\/em>o outro, mas de controle<em>&nbsp;do&nbsp;<\/em>outro. Al\u00e9m disso,&nbsp;\u00e9 preciso esclarecer que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pagar uma pessoa para fazer sexo \u201c<em>com conex\u00e3o<\/em>\u201d com outra, pois o afeto n\u00e3o \u00e9 uma mercadoria precific\u00e1vel, mas um sentimento genu\u00edno.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">&nbsp;CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/h4>\n\n\n\n<p>Neste horizonte epocal, as tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o est\u00e3o intimamente conectadas ao mercado de tal sorte que as grandes empresas e seus investidores s\u00e3o os financiadores do desenvolvimento tecnol\u00f3gico. Com repert\u00f3rio cultural cr\u00edtico \u00e9 poss\u00edvel apreender que as empresas fabricam produtos a partir da captura de car\u00eancias e necessidades humanas, seguida da sua transforma\u00e7\u00e3o em mercadorias precific\u00e1veis. Entretanto, os meios de comunica\u00e7\u00e3o ocultam tanto sua ideologia quanto seus produtores, fabricando a ilus\u00e3o de que n\u00e3o existe ningu\u00e9m por tr\u00e1s da comunica\u00e7\u00e3o. Trata-se do princ\u00edpio da&nbsp;<em>hipnogenia,&nbsp;<\/em>conceituado por Baitello Jr. (2008, p.97).<\/p>\n\n\n\n<p>Ou\u00e7a-se o lastro de humor grotesco no encorajamento das pr\u00e1ticas de viol\u00eancia neuronal (HAN, 2015): o equ\u00edvoco da \u00e9poca em curso consome sem reflex\u00e3o cr\u00edtica as performances hiper-reais do submundo adulto sem sequer cogitar que h\u00e1 um dil\u00favio de m\u00e9tricas comerciais, algoritmos e diretrizes publicit\u00e1rias envolvidas naquelas supostas \u201cprodu\u00e7\u00f5es amadoras\u201d para \u201cintera\u00e7\u00f5es genu\u00ednas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste cen\u00e1rio, h\u00e1 uma sociedade imersa numa condi\u00e7\u00e3o alagadora de insatisfa\u00e7\u00e3o pessoal, repleta de sujeitos neur\u00f3ticos e carentes de afeto, buscando a realiza\u00e7\u00e3o de seus desejos na rede. Assim, a reprograma\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio fabricada pelo submundo n\u00e3o se trata de aliena\u00e7\u00e3o total, mas de entregar ao sujeito o que ele procura no confronto com o vazio de si. Em outras palavras, o sujeito n\u00e3o est\u00e1 consciente da estrutura macro que o envolve, isto \u00e9, n\u00e3o entende sobre a engrenagem do submundo (n\u00e3o sabe como funciona o direcionamento do tr\u00e1fego dos usu\u00e1rios para cada perfil de produtora de conte\u00fado, tampouco como funcionam os contratos de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, agendamento de m\u00eddia, comiss\u00e3o de plataformas, e assim por diante). Entretanto, n\u00e3o est\u00e1 totalmente alienado sobre o que faz na rede (existe satisfa\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea). Sendo assim, a manipula\u00e7\u00e3o \u00e9 do ponto de vista das for\u00e7as macrossociais, mas individualmente, o sujeito est\u00e1 relativamente consciente da sua a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o adoecimento f\u00edsico e ps\u00edquico das v\u00edtimas \u00e9 uma resposta sintom\u00e1tica do corpo e do psiquismo da mulher que determina que h\u00e1 viol\u00eancia no submundo. Sobre o tema, James Hillman (1984) afirma que &#8220;<em>o sintoma \u00e9 o primeiro escudo da psique que desperta e que n\u00e3o quer mais tolerar nenhum abuso&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Frente ao adoecimento, \u00e9 poss\u00edvel desenvolver estrat\u00e9gias que minimizem o poder simb\u00f3lico da reprograma\u00e7\u00e3o sobre as v\u00edtimas. Afinal, conforme defende Malena Segura Contrera (2021), \u201c<em>o imagin\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 um arquivo-morto de imagens\u201d,<\/em>&nbsp;visto que a imagem \u00e9 um trabalho da psique, que envolve a consci\u00eancia. Nesse sentido, a consci\u00eancia cr\u00edtica \u00e9 a chave para o despertar das v\u00edtimas, aliviando-as dos sintomas da reprograma\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica do imagin\u00e1rio propositalmente provocada pelas puls\u00f5es perversas do submundo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">REFER\u00caNCIAS<\/h4>\n\n\n\n<p>BAITELLO, JR.&nbsp;<em>Corpo e imagem<\/em>: Comunica\u00e7\u00e3o, ambientes, v\u00ednculos. In: RODRIGUES, D. Os valores e as atividades corporais. S\u00e3o Paulo: Summus, 2008. p. 95-112.<\/p>\n\n\n\n<p>CHAU\u00cd, M.&nbsp;&nbsp;AULA MAGNA \u201cO que \u00e9 ideologia?&nbsp;<em>Entenda a origem, os mecanismos, os fins e os efeitos sociais, econ\u00f4micos e pol\u00edticos deste mascaramento da realidade social<\/em>\u201d. Transmiss\u00e3o no dia 07 de abril de 2023. <\/p>\n\n\n\n<p>Contrera, M. S. &nbsp;<em>Impactos persistentes da cultura de massas na comunica\u00e7\u00e3o:<\/em>&nbsp;a crise da empatia e o rebaixamento cognitivo. S\u00e3o Paulo: Revista da Intercom 44. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>DEBORD, G.&nbsp;<em>A sociedade do espet\u00e1culo<\/em>. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.<\/p>\n\n\n\n<p>HAN, Byung-Chul.&nbsp;<em>Sociedade do cansa\u00e7o<\/em>. Editora Vozes. 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>HILLMAN, J.&nbsp;<em>Uma Busca Interior em Psicologia e Religi\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1984.<\/p>\n\n\n\n<p>MAGOSSI, P.G.&nbsp;<em>Tent\u00e1culos do submundo sobre a superf\u00edcie<\/em>.&nbsp;In: Portal Juristas \u2014 ISSN: 1808-8074. Publicado em 10 de julho de 2023. p. 1-4. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/juristas.com.br\/2023\/07\/10\/tentaculos-algoritmicos-do-submundo-sobre-a-superficie\/\">https:\/\/juristas.com.br\/2023\/07\/10\/tentaculos-algoritmicos-do-submundo-sobre-a-superficie\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>MAGOSSI, P.G.&nbsp;<em>Reprograma\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica da sexualidade<\/em>. In: Portal Juristas \u2014 ISSN: 1808-8074. Publicado em 03 de junho de 2023. p.1-5. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/juristas.com.br\/2023\/06\/03\/reprogramacao-algoritmica-da-sexualidade\/\">https:\/\/juristas.com.br\/2023\/06\/03\/reprogramacao-algoritmica-da-sexualidade\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>MAGOSSI, P.G.&nbsp;<em>Vigil\u00e2ncia algor\u00edtmica das redes interativas<\/em>. In: Portal Juristas \u2014 ISSN: 1808-8074. Publicado em 25 de maio de 2023. p. 1-6. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/juristas.com.br\/2023\/05\/25\/vigilancia-algoritmica-das-redes-interativas\/\">https:\/\/juristas.com.br\/2023\/05\/25\/vigilancia-algoritmica-das-redes-interativas\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>MAGOSSI, P.G.&nbsp;<em>Combate \u00e0 viol\u00eancia f\u00edsica contra a mulher<\/em>: instrumentos de tortura \u201cinterativos\u201d. In: Revista Juristas \u2014 ISSN: 1808-8074. p.1-5. Publicado em 19 de mar\u00e7o de 2023. p. 1-4. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/juristas.com.br\/2023\/03\/19\/combate-a-violencia-fisica-contra-a-mulher\/?swcfpc=1\">https:\/\/juristas.com.br\/2023\/03\/19\/combate-a-violencia-fisica-contra-a-mulher\/?swcfpc=1<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>MAGOSSI, P.G.&nbsp;<em>Fake news<\/em>&nbsp;do submundo da cultura digital. In: Revista Juristas \u2014 ISSN: 1808-8074. Publicado em 11 de mar\u00e7o de 2023. p.1-7. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/juristas.com.br\/2023\/03\/11\/fake-news-do-submundo-da-cultura-digital-2\/?swcfpc=1\">https:\/\/juristas.com.br\/2023\/03\/11\/fake-news-do-submundo-da-cultura-digital-2\/?swcfpc=1<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>TRIVINHO, E.&nbsp;<em>A p\u00f3s-ind\u00fastria da infantiliza\u00e7\u00e3o digital.<\/em>&nbsp;Ppublicado na Revista&nbsp;<em>Cult em<\/em>&nbsp;18.out.2021, dispon\u00edvel pelo&nbsp;<em>link<\/em>:&nbsp;<a href=\"https:\/\/revistacult.uol.com.br\/home\/industria-infantilizacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/revistacult.uol.com.br\/home\/industria-infantilizacao\/<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FONTE:&nbsp;https:\/\/juristas.com.br\/noticias\/submundo-e-violencia-neuronal\/ Por&nbsp;Priscila Magossi I \u2013 SOCIEDADE DO CANSA\u00c7O E POSITIVIDADE T\u00d3XICA A \u201cSociedade do Cansa\u00e7o\u201d (2015), nomeada pelo fil\u00f3sofo coreano Byung-Chui Han, \u00e9 compreendida pelo cansa\u00e7o oriundo do esvaziamento da vida em prol da cultura do desempenho. De acordo com o autor, as m\u00e9tricas comerciais (avalia\u00e7\u00f5es, seguidores, curtidas, visualiza\u00e7\u00f5es, e assim por diante) correspondem a um novo sistema de puni\u00e7\u00e3o institucional, que objetiva definir hierarquias e combater o concorrente. Nesta cultura da alta performance, os indiv\u00edduos s\u00e3o sugestionados a se verem como empres\u00e1rios de si mesmos, a cobrarem a pr\u00f3pria produtividade e efici\u00eancia, tornando-se vigilantes e carrascos de suas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es: Quem fracassa na sociedade neoliberal de desempenho, em vez de questionar o sistema, considera a si mesmo como respons\u00e1vel e se envergonha. No regime neoliberal de autoexplora\u00e7\u00e3o, a agress\u00e3o \u00e9 dirigida contra n\u00f3s. Ela transforma os explorados em depressivos (HAN, 2018, p.16) Nesse contexto, as empresas transformam seus colaboradores em rob\u00f4s que desconhecem seus limites humanos, e trabalham com a imposi\u00e7\u00e3o de metas cada vez mais desumanas. Os efeitos colaterais desse discurso motivacional \u00e9 a&nbsp;viol\u00eancia neuronal, que se d\u00e1 por meio da \u201cpositividade t\u00f3xica\u201d do est\u00edmulo, efici\u00eancia e reconhecimento social pela supera\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es. Essa sistem\u00e1tica traz como sintoma o esgotamento f\u00edsico e ps\u00edquico, a depress\u00e3o e a ansiedade como complementos b\u00e1sicos do abandono dos pr\u00f3prios limites emocionais. II \u2013 O SUBMUNDO DOS SINTOMAS De acordo com Marilena Chau\u00ed (2023), a mulher \u00e9 ilusoriamente apresentada como empres\u00e1ria de si pr\u00f3pria, mas subordinada \u00e0 uberiza\u00e7\u00e3o do trabalho. Assim, o sal\u00e1rio \u00e9 substitu\u00eddo pela renda individual. Nessa perspectiva, a trag\u00e9dia est\u00e1 no fato de que n\u00e3o se trata somente de uma trabalhadora pobre, mas de uma mulher cuja psique \u00e9 alimentada pelo medo, pela perda da autoestima, e pela ilus\u00e3o da meritocracia da culpa, da competi\u00e7\u00e3o. Nesse esquema draconiano, a&#8230; <\/p>\n<p><a class=\"readmore\" href=\"https:\/\/abciber.org.br\/site\/2024\/05\/10\/priscila-magossi-submundo-e-violencia-neuronal\/\">Continua<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14622,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[],"class_list":["post-14614","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-na-midia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14614","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14614"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14614\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14629,"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14614\/revisions\/14629"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14622"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14614"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14614"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14614"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}