{"id":14625,"date":"2024-05-11T03:11:37","date_gmt":"2024-05-11T06:11:37","guid":{"rendered":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/?p=14625"},"modified":"2024-05-11T03:11:37","modified_gmt":"2024-05-11T06:11:37","slug":"eugenio-trivinho-infonegocios-endofascistas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/2024\/05\/11\/eugenio-trivinho-infonegocios-endofascistas-2\/","title":{"rendered":"Eug\u00eanio Trivinho: Infoneg\u00f3cios endofascistas"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>A regulamenta\u00e7\u00e3o das redes de Big Techs, que pressup\u00f5e regula\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, uma vez juridicamente assentada, tamb\u00e9m \u00e9 politicamente leg\u00edtima, como demanda p\u00fablica e democr\u00e1tica<\/em><\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>FONTE:&nbsp;<a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/infonegocios-endofascistas\/\">https:\/\/aterraeredonda.com.br\/infonegocios-endofascistas\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por&nbsp;<a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0202215328828014\">Eug\u00eanio Trivinho<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>A transi\u00e7\u00e3o enquadrada<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>A suposta desmassifica\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito da comunica\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica \u2013 processo erroneamente associado a diversas formas de apropria\u00e7\u00e3o e uso sociais de tecnologias digitais e interativas, a partir do final dos anos 1960 \u2013 semeou, ao menos, um horizonte irrevers\u00edvel: as plataformas digitais (de relacionamento e participa\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o, busca e consulta, entretenimento e trocas comerciais) representaram, de fato, o tiro de miseric\u00f3rdia no monop\u00f3lio da informa\u00e7\u00e3o controlado por meios anal\u00f3gicos de comunica\u00e7\u00e3o de massa.<\/p>\n\n\n\n<p>Na esteira da informatiza\u00e7\u00e3o generalizada, da miniaturiza\u00e7\u00e3o de tecnologias digitais e da cultura de&nbsp;<em>sites<\/em>,&nbsp;<em>chats<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>blogs<\/em>, essas plataformas levaram \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias a transfer\u00eancia, para m\u00e3os comuns, n\u00e3o apenas do assenhoramento direto de todo e qualquer conte\u00fado circulante, como tamb\u00e9m da possibilidade de rea\u00e7\u00e3o imediata a ele e de cria\u00e7\u00e3o a partir dele, al\u00e9m de distribu\u00ed-lo e\/ou irradi\u00e1-lo em cadeia ramificada, com apoio em perfis autocustomizados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 propalada \u201cacefalia\u201d das massas consumidoras de&nbsp;<em>media&nbsp;<\/em>convencionais \u2013 massas telespectadoras, radiouvintes, leitoras etc. \u2013 seguiram-se bilh\u00f5es de cabe\u00e7as interativas, piv\u00f4s de complexa teia de interconex\u00f5es locais, regionais, nacionais e internacionais (alcance geogr\u00e1fico conforme a pot\u00eancia e o alcance do equipamento e da rede em jogo, bem como a capacidade dromoapta \u2013 ligada \u00e0 rapidez \u2013 do usu\u00e1rio). A natureza e a fun\u00e7\u00e3o social-hist\u00f3ricas dessa din\u00e2mica cibercultural, com consequ\u00eancias pol\u00edticas imprevis\u00edveis, est\u00e3o longe de ter sido profunda e definitivamente compreendidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para lembrar Jean Baudrillard, remanescem t\u00e3o inc\u00f3gnitas quanto a natureza, fun\u00e7\u00e3o e consequ\u00eancias das massas vinculadas aos sistemas televisivo, radiof\u00f4nico e impresso. Eis o pomo principal: a t\u00e3o necess\u00e1ria conquista pol\u00edtica e cultural da liberta\u00e7\u00e3o dos signos (not\u00edcias, imagens, informa\u00e7\u00f5es etc.) do cativeiro industrial-monopolista de massa e a transi\u00e7\u00e3o comercial deles para o universo p\u00f3s-industrial e algoritmizado de cabe\u00e7as e m\u00e3os comuns culminaram numa exuberante produ\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica coletiva tecnocraticamente enquadrada pela ideologia transnacional e hegem\u00f4nica de modelos de neg\u00f3cios bilion\u00e1rios, propostos e gerenciados no ciberespa\u00e7o pelas chamadas Big Techs (a maioria sediada ainda no Vale do Sil\u00edcio, na costa oeste dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de catalisar a percep\u00e7\u00e3o e disputar a aten\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos como forma de capitaliza\u00e7\u00e3o monopolista do desejo de pertencimento, participa\u00e7\u00e3o e partilha, a ideologia tecnocr\u00e1tica das Big Techs fomenta \u2013 e se alimenta de \u2013 puls\u00f5es reativas (n\u00e3o raro, compulsivas e infrarracionais, embora n\u00e3o inconscientes), em condi\u00e7\u00f5es neoliberais (isto \u00e9, desregulamentadas e supostamente gratuitas, \u00e0 sombra do Estado, sob a fantasia onipotente do individualismo produtivista e sob a cren\u00e7a ut\u00f3pico-irrespons\u00e1vel na exclusividade do mercado como v\u00f3rtice de gera\u00e7\u00e3o de bem-estar).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse incentivo retroalimentante de rea\u00e7\u00f5es imediatistas aposta na autorregula\u00e7\u00e3o interativa pelo pr\u00f3prio social, como se as puls\u00f5es psicoemocionais \u2013 de todas as partes e de parte alguma \u2013 pudessem operar uma (e se concatenar numa) racionalidade desprovida de problemas, malgrado no fluxo de um mercado ac\u00e9falo igualmente \u00e0 merc\u00ea dos humores oscilat\u00f3rios das paisagens noticiosas, hoje provenientes das e replicadas nas chamadas \u201credes sociais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em tais condi\u00e7\u00f5es \u2013 as mesmas em que institui\u00e7\u00f5es educacionais comparecem secularmente impotentes para administrar (que dir\u00e1 controlar) puls\u00f5es humanas comezinhas (como as de racismo, misoginia, lgbtfobia, xenofobia etc., inclina\u00e7\u00f5es psicoemocionais patriarcais em mat\u00e9ria de constru\u00e7\u00e3o da imagem alheia e de intera\u00e7\u00f5es interpessoais) \u2013, o universo usu\u00e1rio funciona eficientemente como v\u00f3rtice de resson\u00e2ncia de experi\u00eancias mal resolvidas (traumas de intera\u00e7\u00e3o insistentes, rancores intergrupais inapag\u00e1veis, frustra\u00e7\u00f5es inesperadas e sem luto etc.) e de proje\u00e7\u00e3o incontinente de pr\u00e1ticas preconceituosas e estigmatizante \u2013 dem\u00f4nios do ego e do inconsciente, intemper\u00e1veis e, em geral, sublimados em contextos conflitivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Evid\u00eancias de \u00e9poca traduzem, \u00e0s esc\u00e2ncaras, que essa autorregula\u00e7\u00e3o social \u2013 no caso, por formas coletivamente aleat\u00f3rias de apropria\u00e7\u00e3o e uso de tecnologias digitais e redes interativas \u2013 tem pressionado a sociedade a pender pol\u00edtica e perigosamente para a extrema direita, ao beneficiar todo tipo de intencionalidade ressentida e vingativa, expressa em modos incivis de tratamento do outro. Na pr\u00f3diga esteira da produ\u00e7\u00e3o audiovisual mediana de massa (desde, pelo menos, os anos 1930), essa autorregula\u00e7\u00e3o tem, desafortunadamente \u2013 \u00e9 preciso lembr\u00e1-lo \u2013, colaborado tamb\u00e9m para o aprofundamento de&nbsp;<a href=\"https:\/\/revistacult.uol.com.br\/home\/industria-infantilizacao\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">idiotias socioculturais e imbecilidades anticient\u00edficas<\/a>. As&nbsp;<em>fake news<\/em>&nbsp;s\u00e3o disso uma s\u00edntese&nbsp;<em>dej\u00e0-vu<\/em>&nbsp;majestosa, com graves reverbera\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>O mencionado pendor (para a extrema direita) \u00e9 insepar\u00e1vel de insatisfa\u00e7\u00f5es ultraconservadoras com os modelos vigentes de sistema capitalista, esculpidos sob press\u00f5es hist\u00f3ricas (nos \u00faltimos dois s\u00e9culos), em ruas e pra\u00e7as, por milh\u00f5es de trabalhadores e desempregados \u2013 sem-terra, sem-teto, muitas vezes sem-p\u00e1tria \u2013 em prol de direitos civis, sociais e previdenci\u00e1rios. Essa longa e sangrenta jornada internacional de massa culminou em sistemas socioecon\u00f4micos significativamente regulados pelo Estado; em s\u00e9rie de conten\u00e7\u00f5es ou restri\u00e7\u00f5es legais \u00e0 sanha expansionista do capital, especialmente do gra\u00fado (aqui priorizado); em esquemas (bastante falhos) de tributa\u00e7\u00e3o progressiva para aplainar desigualdades materiais; em quinh\u00e3o maior de participa\u00e7\u00e3o das classes populares e desfavorecidas em processos democr\u00e1ticos de decis\u00e3o sobre rumos civilizat\u00f3rios; e na liberaliza\u00e7\u00e3o diversificada de h\u00e1bitos e costumes (de que n\u00e3o se divorciam indu\u00e7\u00f5es comerciais do pr\u00f3prio capital), entre outras tend\u00eancias de minimiza\u00e7\u00e3o de risco e dano conquistadas a duras penas.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, esse cen\u00e1rio de hegemonia do Estado sob Carta Magna socialdemocrata \u00e9 severamente malquisto por todas as vertentes ultraconservadoras, desagradando setores tecnologicamente avan\u00e7ados e, ao mesmo tempo, politicamente reacion\u00e1rios do capital e seus representantes (exceto quando h\u00e1 subs\u00eddios estatais\u2026) \u2013 do campo \u00e0 cidade (ou, se se quiser, do agroneg\u00f3cio \u00e0 ind\u00fastria de armamentos e \u00e0s&nbsp;<em>start-ups<\/em>&nbsp;neoliberais bilion\u00e1rias, cooptadoras parasit\u00e1rias da rede).<\/p>\n\n\n\n<p>Inexiste frustra\u00e7\u00e3o que n\u00e3o encontre espelho no passado. Por natureza hist\u00f3rica e propens\u00e3o \u00e9pica, o capital \u2013 seja de qual ramo for \u2013 sempre pulsou liberdade incondicional em dire\u00e7\u00e3o explorat\u00f3ria multilateral. Vergados ou n\u00e3o a responsabilidades legais, seus propriet\u00e1rios e representantes, cumprindo-as ou contornando-as, consideram insuport\u00e1veis quaisquer amarras estatais e morais \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o ampliada do valor de troca, exceto leis que equalizem trocas econ\u00f4mico-financeiras em n\u00edveis concorrenciais esperados. Tal fleuma padr\u00e3o se aprofundou ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos macroecon\u00f4micos recentes, o neoliberalismo \u2013 e isto contextualiza a voracidade do prefixo \u201cneo\u201d \u2013 significa, n\u00e3o por acaso, certa \u201crebeldia\u201d pol\u00edtica, t\u00e3o calculada quanto organizada, dentro do ordenamento jur\u00eddico, para tentar implodir dispositivos legais \u2013 um a um \u2013 que limitam a sanha vocacionada do capital, este farejo de oportunidades de lucro r\u00e1pido no menor tempo poss\u00edvel, sejam quais forem as consequ\u00eancias socioculturais, pol\u00edticas e \u00e9ticas. O meio ambiente, na ferida aberta de um aquecimento planet\u00e1rio dificilmente revers\u00edvel, \u00e9 um sintoma grosseiro dessa insanidade com foros de raz\u00e3o. A comida \u00e0 mesa, com fertilizantes e pesticidas cientificamente controversos, tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa de um capital cordato constitui fantasia humanista perigosa: m\u00e3os em entrela\u00e7o, ela reza ante matilhas diferentes. Rara \u00e9 a iniciativa gra\u00fada de capital aplacado na doutrina dos direitos humanos e sociais. Recuos estrat\u00e9gicos em quaisquer de seus ramos s\u00e3o observados exclusivamente sob press\u00e3o intensa e cont\u00ednua de for\u00e7as pol\u00edticas e sociais contr\u00e1rias, com suporte do Estado ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Infoneg\u00f3cios endofascistas<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>A observa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mais aguda do t\u00f3pico anterior merece \u00eanfase reangulada: tend\u00eancias factuais h\u00e1 muito replicam, por toda parte, o quanto alguns segmentos das Big Techs condicionam espa\u00e7o livre e sinal verde para vis\u00f5es e sentimentos de mundo que intoxicam, com veem\u00eancia organizada, intera\u00e7\u00f5es civis, minando, algo mais, a necess\u00e1ria abertura a modos diversos de vida. Em particular, a estrutura din\u00e2mica das plataformas digitais de relacionamento, participa\u00e7\u00e3o e partilha \u2013 as que, junto com sistemas de intera\u00e7\u00e3o via&nbsp;<em>smartphones<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>tablets&nbsp;<\/em>(por&nbsp;<em>applications<\/em>), possibilitam a forma\u00e7\u00e3o de redes sociais (como YouTube, Facebook, X, Instagram, WhatsApp, Telegram etc.) \u2013 serve a fundamentalismos incontinentes, na forma seja de extremismos pol\u00edticos, seja de moralismos radicais (religiosos ou n\u00e3o), quase sempre de m\u00e3os entrela\u00e7adas.<\/p>\n\n\n\n<p>O desdobramento \u00e9 claro: a expans\u00e3o das Big Techs, por sua ascend\u00eancia infotecnol\u00f3gica sobre todas as inst\u00e2ncias sociais, corre de par com a prolifera\u00e7\u00e3o de grupos nazifascistas, supremacistas e quejandos. Pelas mesmas raz\u00f5es, os&nbsp;<em>cybernet businesses<\/em>&nbsp;est\u00e3o, direta ou indiretamente, implicados na ultradireitiza\u00e7\u00e3o das press\u00f5es sobre sistemas e valores democr\u00e1ticos. Sem projeto estatu\u00eddo em favor dessas press\u00f5es, as Big Techs, no entanto, colaboram para a desgra\u00e7a de penosas conquistas hist\u00f3ricas.<\/p>\n\n\n\n<p>O argumento de que h\u00e1 coincid\u00eancia acidental nesse vultuoso pormenor \u00e9 leviano e, na m\u00e1-f\u00e9, desinformado. Em mat\u00e9ria de constru\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria, os modelos de neg\u00f3cio dessas megacompanhias incentivam, de fato, regress\u00f5es hist\u00f3ricas, pol\u00edticas e institucionais.<\/p>\n\n\n\n<p>A mencionada rela\u00e7\u00e3o simetricamente proporcional \u2013 entre expans\u00e3o de condicionamentos corporativo-digitais e prolifera\u00e7\u00e3o de narrativas e pr\u00e1ticas autorit\u00e1rias de direita \u2013 obedece a regras socioecon\u00f4micas relativamente est\u00e1veis no capitalismo. As plataformas digitais de relacionamento, participa\u00e7\u00e3o e partilha s\u00e3o livremente apropriadas (isto \u00e9, incorporadas ao campo pr\u00f3prio, \u00e0 realidade individual) por categorias sociais econ\u00f4mica e cognitivamente preparadas para faz\u00ea-lo (por prec\u00e1rios que sejam o equipamento e o pacote de acesso \u00e0 rede), sobretudo em per\u00edodos ou contextos de disputa pol\u00edtica, religiosa e\/ou moral.<\/p>\n\n\n\n<p>No aleat\u00f3rio jogo dessas apropria\u00e7\u00f5es e usos, grupos, partidos e extenso s\u00e9quito de extrema direita t\u00eam, h\u00e1 anos, levado amplamente a melhor, com dom\u00ednio mais avan\u00e7ado de fatores do submundo&nbsp;<em>online<\/em>&nbsp;(a chamada&nbsp;<em>dark<\/em>&nbsp;ou&nbsp;<em>deep<\/em>&nbsp;Web) do que agremia\u00e7\u00f5es e vertentes de esquerda, nos campos pol\u00edtico e cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>Em se tratando de empreendimentos na m\u00faltipla \u00e1rea da tecnologia interativa (intelig\u00eancia artificial \u00e0 frente) como vetor de desenvolvimento civilizat\u00f3rio, o \u201cconjunto da obra\u201d reportado acima, visto por prisma diverso, patenteia o que n\u00e3o surpreende do ponto de vista hist\u00f3rico: h\u00e1 cartadas de inova\u00e7\u00e3o que equivalem a (e\/ou s\u00e3o egressos de) infoneg\u00f3cios endofascistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Arquiteturas corporativas no segmento da informa\u00e7\u00e3o em tempo real, esses&nbsp;<em>cyberbusinesses<\/em>&nbsp;n\u00e3o s\u00e3o, originalmente, modelos comerciais fascistas de enredamento tecnol\u00f3gico sofisticado. Uma vez abertos a todas as formas de apropria\u00e7\u00e3o e uso, acabam, na capitaliza\u00e7\u00e3o intensiva da participa\u00e7\u00e3o e express\u00e3o individuais, escancarando-se, entretanto, em seus espa\u00e7os sociotecnol\u00f3gicos internos, a todos os tipos de narrativa e tend\u00eancia de extrema direita, com nefastas consequ\u00eancias imprevistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7am como experimentalismos regionais ou nacionais de empreendedorismo neoliberal em rede e, em virtude da ades\u00e3o transfronteira de bilh\u00f5es de pessoas, convertem-se, n\u00e3o raro em tempo recorde, em megaempresas ultralucrativas, com ramifica\u00e7\u00f5es globais. \u00c9 o caso da extra\u00e7\u00e3o de lucro da mina das rela\u00e7\u00f5es interpessoais (e, em ess\u00eancia, do desejo de ser e aparecer, pertencer e compartilhar) atrav\u00e9s de m\u00e1quinas e redes digitais (<em>desktop<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>mobile<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>A alega\u00e7\u00e3o de que o reescalonamento indiscriminado de vertentes extremistas n\u00e3o \u00e9, fundamentalmente, problema das plataformas digitais, mas da natureza e qualidade epocais da sociedade civil \u2013 esta resultante lenta do jogo das institui\u00e7\u00f5es e das propens\u00f5es pol\u00edtico-morais da popula\u00e7\u00e3o historicamente constitu\u00eddas \u2013, n\u00e3o arru\u00edna somente uma franja pol\u00edtica relevante (em geral, esquecida) da no\u00e7\u00e3o de responsabilidade social (falsamente cativa da exclusividade do campo ambiental): sedento de lucro a qualquer custo, o argumento, tamb\u00e9m leviano, lava as m\u00e3os para a necessidade de preocupa\u00e7\u00e3o permanente com a constru\u00e7\u00e3o da sociedade \u00e0 luz constitucional do bem-estar coletivo e efetivo. Empreendimentos corporativos de fortes consequ\u00eancias sociopol\u00edticas e morais inserem-se, tanto mais eles, no quadro desse cinismo aquoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Houvesse interesse genu\u00edno e cont\u00ednuo das Big Techs na contram\u00e3o dessa indiferen\u00e7a patente, valeria, ainda assim, n\u00e3o olvidar que o social encerra caprichos inapel\u00e1veis: constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica complexa demais para esquematismos de prancheta, ele jamais ser\u00e1 um organismo darwinista algor\u00edtmico-estat\u00edstico propenso ao sucesso de dromoaptos girando em torno de maquinetas e plataformas digitais 24 horas por dia. (Do ponto de vista individual, a dromoaptid\u00e3o diz respeito \u00e0 introje\u00e7\u00e3o e incorpora\u00e7\u00e3o da velocidade como valor sist\u00eamico de \u00e9poca.) O social n\u00e3o se verga \u2013 nem se vergar\u00e1, lembre-se \u2013 a simplifica\u00e7\u00f5es interpretativas de mentalidade corporativa alguma.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso das Big Techs n\u00e3o escapa \u00e0 regra: quanto mais robusto o intento de sobredetermina\u00e7\u00e3o do social, mais falho o resultado. Tais simplifica\u00e7\u00f5es, que muito franzem at\u00e9 a testa da \u00e9tica piedosa, n\u00e3o cansam de beirar programaticamente o perigo: o social n\u00e3o se reduz \u2013 nem jamais o far\u00e1 \u2013 a mera somat\u00f3ria de redes comunicacionais controladas pelo capital privado e, no \u201cservi\u00e7o prestado\u201d, publicitariamente aparentadas como \u201cespa\u00e7o p\u00fablico\u201d de intera\u00e7\u00f5es (com entes humanos e artificiais).<\/p>\n\n\n\n<p>O social n\u00e3o se reduz a esp\u00e9cie de argila mold\u00e1vel por modelos de neg\u00f3cio do segmento interativo, virtual e\/ou algor\u00edtmico, tanto mais quando ensejam, sob suas barbas e\/ou \u00e0s suas expensas, a defini\u00e7\u00e3o (pol\u00edtica, sempre) de quem domina ou n\u00e3o seus espa\u00e7os corporativamente condicionados e, na sombra eleitoral desse processo, quem tem direito a engolfar a totalidade social. Mesmo sob incertezas, o princ\u00edpio da reciclagem estrutural de tudo e de todos costuma ser implac\u00e1vel: o que funciona em certo momento hist\u00f3rico-pol\u00edtico \u2013 por despreparo sociotecnol\u00f3gico das for\u00e7as de oposi\u00e7\u00e3o \u2013 custa a repetir sucesso id\u00eantico na sequ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A impossibilidade de qualquer sofisticado&nbsp;<em>business engineering<\/em>&nbsp;que deprecie a pot\u00eancia m\u00faltipla do social ao tentar enquadr\u00e1-lo em suas injun\u00e7\u00f5es corporativas v\u00ea-se onerada pela evid\u00eancia de que a autorregula\u00e7\u00e3o total pelo mercado das apropria\u00e7\u00f5es e usos amea\u00e7a din\u00e2micas republicanas e democr\u00e1ticas vigentes. Em certa medida, o arco completo desse arruinamento pol\u00edtico passa pela ocupa\u00e7\u00e3o de poderes do Estado, em vespeiro sinistro hoje estimulado pela exist\u00eancia das redes sociais. Vale, para efeito esclarecedor, invocar o mantra progressista h\u00e1 anos convertido em senso comum (ali\u00e1s, de matadouro): o fundamentalismo neoliberal da extrema direita necessita do jogo democr\u00e1tico para se apoderar do aparelho estatal, corroer conquistas trabalhistas e previdenci\u00e1rias (cavadas no rastro de sangue desde, pelo menos, o in\u00edcio do s\u00e9culo XIX) e implantar din\u00e2micas ditatoriais e\/ou autocr\u00e1ticas apoiadas em todo tipo de desregulamenta\u00e7\u00e3o, \u00e0s custas at\u00e9 (do recrudescimento) de condi\u00e7\u00f5es de trabalho escravo.<\/p>\n\n\n\n<p>O argumento de que as redes digitais corporativas s\u00e3o abertas a quaisquer vis\u00f5es e sentimentos de mundo \u2013 mais precisamente, todas elas s\u00e3o bem-vindas, mesmo as genocidas \u2013 assume, nesse contexto, ares de fal\u00e1cia, al\u00e9m de arremedo populista: o intento de provis\u00e3o de espa\u00e7os p\u00fablicos parit\u00e1rios ou equitativos de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o equivale a d\u00e1diva compensat\u00f3ria por seja qual for a iniciativa de neg\u00f3cios; a mera diversidade quantitativa n\u00e3o galvaniza equil\u00edbrio de for\u00e7as sociais garantidoras do ide\u00e1rio da democracia.<\/p>\n\n\n\n<p>Fal\u00e1cias jamais conseguem camuflar inteiramente sua ast\u00facia: vis\u00f5es opostas \u00e0 extrema direita, hoje majoritariamente confluentes para o&nbsp;<em>status quo<\/em>, n\u00e3o amea\u00e7am, nem por dentro, nem por fora, essa modalidade plural de governo. Fosse minimamente v\u00e1lido, o discurso da equaliza\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es abertas \u00e0 mir\u00edade de apropria\u00e7\u00f5es e usos de redes digitais, no entanto, seria, como proposta comercial, prim\u00e1rio: converte democracia em democratismo. Toda corruptela pol\u00edtica \u00e9, sen\u00e3o ing\u00eanua, desprimorosa \u2013 jamais estulta: vai, no caso, \u00e0 ampla pra\u00e7a para gerar lucro (material ou simb\u00f3lico, imediato ou diferido).<\/p>\n\n\n\n<p>A banalidade dessa casca rugosa \u2013 corruptela convence apenas desavisados \u2013 cedo entrega o&nbsp;<em>iceberg<\/em>&nbsp;inteiro. O perfil das Big Techs encontra, na verdade, fundamento (n\u00e3o exclusivo) na&nbsp;<em>financial ideology&nbsp;<\/em>(em suma, ideologia do dinheiro), pretensamente neutra em sua crua propens\u00e3o objetiva.&nbsp;<em>Fake news<\/em>&nbsp;e negacionismos hil\u00e1rios de grupos e agremia\u00e7\u00f5es extremistas rendem dinheirama a rodo \u00e0s plataformas. Sob a \u00f3tica desses neg\u00f3cios, a disc\u00f3rdia pol\u00edtica aguda, sobretudo a de rabo de celeuma (com&nbsp;<em>trends&nbsp;<\/em>e ciclo demorado), \u00e9 transformada em pilar de capitaliza\u00e7\u00e3o virulenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda a contrapelo da mencionada fal\u00e1cia populista, se a democracia louva a matem\u00e1tica (sendo dela, modernamente, um dos resultados, por qu\u00f3rum majorit\u00e1rio), nem por isso se equipara a condi\u00e7\u00f5es linearmente quantitativas. A gravidade do motivo reivindica a experi\u00eancia hist\u00f3rica: a democracia n\u00e3o pode acalantar for\u00e7as pol\u00edticas que desejam destru\u00ed-la. Ela pode ter v\u00e1rios sen\u00f5es (e conviver com todas as cr\u00edticas, das leg\u00edtimas \u00e0s acerbas), menos o de flertar com a ignor\u00e2ncia ou com a in\u00e9pcia. Se ela superexp\u00f5e a pr\u00f3pria espinha dorsal, encerra, contra si \u2013 a contragosto estranhamente masoquista \u2013, saudosismo de regimes totalit\u00e1rios: cumpre o jogo do inimigo, levando-lhe pudim \u00e0 bocarra.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Keynesianismo cibercultural<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>O feixe de fatores acima, que sinaliza certa exacerba\u00e7\u00e3o neoliberal dos neg\u00f3cios algor\u00edtmicos, concorre para fazer com que, hoje, as Big Techs tenham de engolir a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica poss\u00edvel para eles \u2013 solu\u00e7\u00e3o amplamente emergente, defendida em diversos segmentos especializados e em inst\u00e2ncias de Estado, no Brasil e no exterior: a regulamenta\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica das plataformas digitais<a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/infonegocios-endofascistas\/#_edn1\">*<\/a>&nbsp;\u2013 algo que a esperan\u00e7a de justi\u00e7a, na diplomacia requerida, n\u00e3o erra se clausula como keynesianismo cibercultural.<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1930, John Meynard Keynes constatou ciclos de incerteza e desequil\u00edbrio no desenvolvimento auto-organizado do capitalismo industrial \u2013 ciclos cr\u00edticos insol\u00faveis sem&nbsp;<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/book\/10.1007\/978-3-319-70344-2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">interven\u00e7\u00e3o do Estado como agente macropol\u00edtico<\/a>&nbsp;de dinamiza\u00e7\u00e3o da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa interven\u00e7\u00e3o pressupunha, de modo concatenado, quatro pol\u00edticas essenciais: a tribut\u00e1ria, a financeira, a de endividamento e a de investimento. A arrecada\u00e7\u00e3o de impostos (compat\u00edvel com as necessidades de sustenta\u00e7\u00e3o do Estado), a regula\u00e7\u00e3o da taxa de juros (situada abaixo da taxa de lucro do capital, para desestimular sua reten\u00e7\u00e3o no sistema financeiro improdutivo), a capta\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito (em forma de endividamento seguro) e o fortalecimento do gasto estatal produtivo (gerador de emprego e, com ele, de ciclo consequente de renda pr\u00f3spera e demanda efetiva) \u2013 essas principais metas do diagrama keynesiano \u2013 conflu\u00edam para afastar o fantasma da estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na contram\u00e3o dessa corros\u00e3o estrutural, a maior dilata\u00e7\u00e3o da oferta de postos formais de trabalho (por parte seja do Estado, seja do capital privado) e, simultaneamente, a preserva\u00e7\u00e3o da mais ampla empregabilidade encerravam sintomas de maximiza\u00e7\u00e3o da atividade produtiva. Atualmente, \u00e9 fora de d\u00favida que tais medidas \u2013 pol\u00eamicas \u00e0 \u00e9poca, no seio do liberalismo \u2013 concederam f\u00f4lego \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o do modelo capitalista de sociedade, abalado pela grave crise de 1929, com efeitos depressivos durante a terceira d\u00e9cada do s\u00e9culo XX.<\/p>\n\n\n\n<p>A racionalidade dessa salvaguarda permitiu refrear \u201cdisfun\u00e7\u00f5es\u201d socioestruturais t\u00edpicas do livre mercado, que poderiam, como contradi\u00e7\u00f5es, levar o capitalismo a novo colapso \u2013 contradi\u00e7\u00f5es, por exemplo, como a conviv\u00eancia (de toda forma, jamais abolida) entre, por um lado, regularidade de altas taxas de lucro industrial e comercial, conjugada \u00e0 m\u00e1xima concentra\u00e7\u00e3o de aflu\u00eancia em parcela \u00ednfima da popula\u00e7\u00e3o, e, por outro lado, desemprego sist\u00eamico cont\u00ednuo, com alargamento descontrolado das margens de pobreza e mis\u00e9ria. A intercess\u00e3o estatal proposta por Keynes respondia \u00e0 tentativa \u2013 ilus\u00f3ria, por certo \u2013 de condicionar, a m\u00e9dio e longo prazos, divis\u00e3o mais equitativa da riqueza, a fim de minorar danos e riscos sociais, estabilizar o pleno emprego e proporcionar bem-estar nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao que tudo indica, a necessidade de regulamenta\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica das Big Techs tem exigido que o h\u00famus t\u00e9cnico dessa concep\u00e7\u00e3o macroecon\u00f4mica seja,&nbsp;<em>mutatis mutandis<\/em>&nbsp;e em linhas gerais, debulhada de ilus\u00f5es intr\u00ednsecas e transferida para o contexto interativo da cibercultura, em raz\u00e3o, \u00fanica e exclusivamente, das reverbera\u00e7\u00f5es sociais (das apropria\u00e7\u00f5es e usos) das plataformas digitais \u2013 obviamente, l\u00e1 e c\u00e1, por fatores distintos (e que os dois primeiros t\u00f3picos do presente texto demonstraram&nbsp;<em>per se<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>A regress\u00e3o hist\u00f3rico-pol\u00edtica operada por apropria\u00e7\u00f5es e usos extremistas dessas plataformas, sob Big Techs desregulamentadas, foi tanta que a preocupa\u00e7\u00e3o leg\u00edtima e intensa com a seguridade socioinstitucional da democracia passou a combinar com a recorr\u00eancia a procedimentos t\u00e9cnico-reformistas similares aos do passado capitalista recente \u2013 uma concerta\u00e7\u00e3o que, por sua vez, autovalida (o desenterro de) express\u00f5es pregressas e compat\u00edveis, como \u201ckeynesianismo\u201d, para dar minimamente cabo \u00e0 escabrosidade \u2013 minimamente: isto \u00e9, sem garantias. Volteios regulares da hist\u00f3ria surpreendem apenas, mais que os desavisados, a puerilidade evolucionista, religiosa ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No intervalo entre as duas principais guerras tecnol\u00f3gicas do s\u00e9culo XX, o keynesianismo, como pol\u00edtica regulat\u00f3ria de Estado, foi essencialmente econ\u00f4mico-financeiro. Na cibercultura como \u00e9poca hist\u00f3rica \u2013 a fase tecnol\u00f3gica mais avan\u00e7ada do capitalismo herdado do final do s\u00e9culo XVIII, assentada em processos digitais e interativos (da rob\u00f3tica de rede ao algoritmo e \u00e0 intelig\u00eancia artificial, e al\u00e9m) \u2013, o equivalente keynesiano assume express\u00e3o pol\u00edtico-informacional, com repercuss\u00f5es econ\u00f4mico-financeiras e culturais.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como a reprodu\u00e7\u00e3o ampliada do capitalismo industrial engendrou a t\u00e9cnica macrorreformista do keynesianismo, de choque antiliberal para conter crises sist\u00eamico-recessivas, equalizar minimamente efeitos estruturais perniciosos do mercado e recha\u00e7ar a amea\u00e7a entr\u00f3pica, a democracia formal (como constru\u00e7\u00e3o de Estado de Direito) sob o capitalismo algor\u00edtmico tem exigido, como t\u00e9cnica de prud\u00eancia pol\u00edtica, um reformismo glocal de tipo keynesiano, de choque antineoliberal no \u00e2mbito da informa\u00e7\u00e3o e da cultura, para aplacar a voracidade amoral das Big Techs, desidratar o sinistro extremista e isolar a amea\u00e7a autorit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa injun\u00e7\u00e3o significa que, em sociedades marcadas por apropria\u00e7\u00f5es e usos aleat\u00f3rios tendentes a hegemonizar eleitoralmente a extrema direita, urge a regulamenta\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica das redes sociais por iniciativa da sociedade civil progressista e com apoio participativo do Estado \u2013 ambos decisivos. O Brasil \u00e9 desses casos \u2013 e, ao que parece, assim ser\u00e1 por muito tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00e2ngulo inverso \u2013 e com todas as letras, para reitera\u00e7\u00e3o enf\u00e1tica de posicionamento id\u00eantico \u2013, o cerne ideol\u00f3gico do keynesianismo cibercultural pressup\u00f5e que Minist\u00e9rios e Secretarias de Estado, em conjunto com segmentos democr\u00e1ticos da sociedade civil, devam encabe\u00e7ar o processo de regulamenta\u00e7\u00e3o das plataformas digitais para reduzir danos e riscos de uma autorregula\u00e7\u00e3o coletivamente aleat\u00f3ria (\u00e0 merc\u00ea de apela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e morais periclitantes, de mercado e audi\u00eancia), em tempos de infesta\u00e7\u00e3o de redes por grupos nazifascistas, supremacistas e similares, com habitual destila\u00e7\u00e3o odienta.<\/p>\n\n\n\n<p>Em particular, o Estado \u2013 institui\u00e7\u00e3o financiada pela sociedade, subordinada \u00e0 Carta Magna e, portanto, instaurada (ao menos, em expectativa) na forma de Estado de Direito guardi\u00e3o da democracia (esta, um patrim\u00f4nio coletivo&nbsp;<em>in progress<\/em>, a receber defesa inveterada como conquista irrevers\u00edvel) \u2013 jamais pode, nesse horizonte, ficar \u00e0 parte de incumb\u00eancias articulat\u00f3rias: ele \u00e9 viga crucial de resolu\u00e7\u00e3o completa do problema.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/noticias\/redacao\/2023\/03\/21\/regulacao-das-redes-democracia-deve-regular-plataformas-nao-o-contrario.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Uma flex\u00e3o fundamental<\/a>&nbsp;do processo foi lembrada (e propositada) por Sergio Amadeu da Silveira: a complexidade da constru\u00e7\u00e3o social de um marco legal dessa natureza \u201cpassa pela defini\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o multissetorial que possa auditar, ajustar e acompanhar permanentemente a implementa\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o do regulamento\u201d. Al\u00e9m disso \u2013 e antes de tudo \u2013, esse marco legal precisa, evidentemente, derivar de ampla discuss\u00e3o p\u00fablica, \u00e0 luz de princ\u00edpios e crit\u00e9rios previamente pactuados e procedimentos transparentes, acima de quaisquer d\u00favidas, incluindo \u201cexplica\u00e7\u00e3o, responsabiliza\u00e7\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o e gerenciamento dos conte\u00fados, dos dados e dos sistemas algor\u00edtmicos das plataformas. Acrescente-se que essa inst\u00e2ncia socioinstitucional, de car\u00e1ter est\u00e1vel, aut\u00f4nomo e indissol\u00favel, implementada pelo Estado, deve ser imperme\u00e1vel a inger\u00eancias de qualquer natureza e impass\u00edvel a ciclos governamentais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos pragm\u00e1ticos e sucintos, a necessidade jur\u00eddica manda consolidar a vers\u00e3o final do Projeto de Lei (seja a em curso desde 2020, seja outra) e faz\u00ea-la vencer o tr\u00e2mite no Congresso Nacional, com aprova\u00e7\u00e3o plen\u00e1ria. Na sequ\u00eancia, a mat\u00e9ria deve transitar pela Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, para san\u00e7\u00e3o ou veto. Havendo veto parcial, o respectivo conte\u00fado retorna ao Congresso.<\/p>\n\n\n\n<p>A rigor, inexistem motivos para alardes de despreparo, simula\u00e7\u00f5es de espanto e temores sem fundamento. Do ponto de vista macroestrutural e socioinstitucional, o keynesianismo cibercultural \u2013 um mecanismo legal de perfil socialdemocrata, em modo&nbsp;<em>soft&nbsp;<\/em>e diplom\u00e1tico, de interven\u00e7\u00e3o justa em parte do mercado de tecnologia de redes \u2013, n\u00e3o deixa, de certa forma, de configurar, em sentido etimol\u00f3gico, estrat\u00e9gia conservantista: destina-se a preservar a democracia em sua formalidade de Estado de Direito, fase&nbsp;<em>sine qua non<\/em>&nbsp;(que se espera seja) de respira\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e expansiva da dignidade humana no processo civilizat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>As vertentes progressistas de centro-esquerda e os segmentos pol\u00edticos, jur\u00eddicos e culturais de defesa dos direitos humanos e fundamentais recorrem, assim, ao primado do Estado de Direito contra todas as formas de autoritarismo, para rearranjar as injun\u00e7\u00f5es sociotecnol\u00f3gicas do xadrez pol\u00edtico e, com isso, impedir avan\u00e7os e amea\u00e7as do que a experi\u00eancia hist\u00f3rica j\u00e1 demonstrou corroer o pr\u00f3prio Estado de Direito a partir de dentro, bem como o sistema democr\u00e1tico \u2013 jovem e (ainda) t\u00eanue no Brasil, a merecer cuidados.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem se enfatize \u2013 por t\u00e3o \u00f3bvio e dispens\u00e1vel \u2013 que a prioriza\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o do condicionamento corporativo de espa\u00e7os digitalizados para pr\u00e1ticas e discursos de extrema direita jamais pretere a urg\u00eancia de regulamenta\u00e7\u00e3o j\u00e1 para proteger e garantir, sem recuo e tergiversa\u00e7\u00e3o, a privacidade e dados pessoais, \u00e0 vista de procedimentos empresariais sem transpar\u00eancia quanto ao destino dessas informa\u00e7\u00f5es sem consentimento dos usu\u00e1rios. Tal ressalva dilata significativamente o recorte de plataformas do presente estudo [incluindo Google (e demais&nbsp;<em>browsers<\/em>), TikTok, Pinterest, Reddit, Kwai etc.].<\/p>\n\n\n\n<p>A regulamenta\u00e7\u00e3o das redes de Big Techs \u2013 que, ali\u00e1s, pressup\u00f5e regula\u00e7\u00e3o cont\u00ednua; e, uma vez juridicamente assentada, tamb\u00e9m \u00e9 politicamente leg\u00edtima, como demanda p\u00fablica e democr\u00e1tica \u2013 constitui batalha de vida ou morte para a sobreviv\u00eancia da democracia como valor universal, forma de Estado, regime de governo e&nbsp;<em>modus vivendi<\/em>&nbsp;cotidiano. Nesse pormenor, n\u00e3o pode haver esmorecimento de resist\u00eancias no campo progressista.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem essa regulamenta\u00e7\u00e3o dos&nbsp;<em>cybernet businesses<\/em>&nbsp;\u2013 sublinhe-se \u2013, a sanha das Big Techs amea\u00e7a a expans\u00e3o social-hist\u00f3rica da pr\u00f3pria civiliza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Ou as Big Techs exercem neg\u00f3cios com base em pactos sociojur\u00eddicos nacionalizados ou o futuro dos regimes pol\u00edticos em v\u00e1rios pa\u00edses, especialmente republicanos e\/ou parlamentares, prevalecer\u00e1 sombrio: por ora, a l\u00f3gica social das plataformas digitais tende a atirar inst\u00e2ncias e mecanismos republicanos da democracia no aterro sanit\u00e1rio da hist\u00f3ria, o mesmo em que, desde pelo menos 1945, repousa, espumante e inquieto, o nazifascismo.<\/p>\n\n\n\n<p>No mais, \u201cs\u00e3o as democracias que devem regular as plataformas e n\u00e3o as plataformas que devem definir o que \u00e9 ou o que deve ser a democracia\u201d, anota, acertadamente, Sergio Amadeu da Silveira.<\/p>\n\n\n\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com o tempo longo tem, nesse cen\u00e1rio, justificativa inconteste: conforme antes dito, a regulamenta\u00e7\u00e3o das plataformas digitais necessita assumir car\u00e1ter permanente enquanto sistemas educacionais s\u00e3o insuficientes ou impotentes, como institui\u00e7\u00f5es sociais, para consolidar, por assim dizer, uma pedagogia de recep\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u00e0 agenda medi\u00e1tica circulante e, nesse caminho, ciberaculturar usu\u00e1rios em massa, a ponto de impedir que se tornem ref\u00e9ns de discursos e narrativas extremistas, tanto nas&nbsp;<em>dark<\/em>&nbsp;ou&nbsp;<em>deep<\/em>&nbsp;Web, quanto em quaisquer grupos ou listas de intera\u00e7\u00e3o em rede. Se o keynesianismo cibercultural conseguir\u00e1 realiz\u00e1-lo, somente a experi\u00eancia pol\u00edtica direta o demonstrar\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Fun\u00e7\u00e3o socioestrutural das plataformas digitais<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Essa fun\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria do Estado e da sociedade civil jamais pode ser vista como censura, sequer em padr\u00e3o sem\u00e2ntico cl\u00e1ssico. Trata-se, antes, de necessidade macroestrutural em favor da manuten\u00e7\u00e3o da democracia como valor universal. O objetivo ideol\u00f3gico do keynesianismo cibercultural consiste em evitar, no \u00e2mbito civil da coagula\u00e7\u00e3o de fluxos de massa, distor\u00e7\u00f5es sist\u00eamico-republicanas que acarretem perigo pol\u00edtico a essa preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Censura \u00e9, no caso, mecanismo de Estado que recai arbitr\u00e1ria e diretamente sobre o estrato do conte\u00fado: uma produ\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica indesejada passa a sofrer san\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria em sua circula\u00e7\u00e3o por contrariar interesses vigentes. Diferentemente, o keyenesianismo cibercultural, recobrando estrato diverso, pressup\u00f5e, antes de tudo, opera\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel da fun\u00e7\u00e3o macroestrutural exercida no social por plataformas digitais.<\/p>\n\n\n\n<p>Se essa injun\u00e7\u00e3o acaba por alcan\u00e7ar, na ponta, conte\u00fados amea\u00e7adores, trata-se de consequ\u00eancia do fato de o social equivaler a produ\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica diuturna (verbal e n\u00e3o-verbal) e ser, por isso, entretecido pela profus\u00e3o de discursos e narrativas, sem minuto de folga. O deslocamento do foco da quest\u00e3o do conte\u00fado (produzido por participa\u00e7\u00e3o individualizada, criadora de rastro de dados) para a problem\u00e1tica da fun\u00e7\u00e3o macrossocial representa aspecto crucial do debate sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o em jogo.<\/p>\n\n\n\n<p>O discurso autodefensivo e acusat\u00f3rio contra a suposta censura \u00e0s plataformas digitais configura estratagema dissuas\u00f3rio pueril, destinado a camuflar feridas socialmente abertas (por infoneg\u00f3cios endofascistas) mediante drenagem da aten\u00e7\u00e3o p\u00fablica para aspectos equ\u00edvocos ou laterais \u2013 e ainda invocando, nesse expediente, o nome da democracia. Subordina-se a tal diversionismo a tese da modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado. Proposta como alternativa absoluta de solu\u00e7\u00e3o a toda e qualquer controv\u00e9rsia, a medida vem sendo \u2013 bem ou mal (sob condescend\u00eancias e, tamb\u00e9m, vistas grossas) \u2013 realizada pelas pr\u00f3prias companhias. Grupos extremistas, no entanto, continuam proliferando nas redes sociais, sob o influxo permissivo de condicionantes corporativas.<\/p>\n\n\n\n<p>A liberdade de empreendimento privado, seja ele qual for, jamais pode caucionar abusos ou excessos que, em prol da prosperidade de neg\u00f3cios legais, extravasem interesses de lucro para o universo simb\u00f3lico-pol\u00edtico da sociedade (numa opera\u00e7\u00e3o de capitaliza\u00e7\u00e3o de desejos de inclus\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e partilha), a ponto de se abrir a puls\u00f5es e inten\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia e morte contra pessoas com&nbsp;<em>modus vivendi<\/em>&nbsp;diferente, contra o Estado de Direito e contra a democracia como valor universal.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Post scriptum<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Em regra, o sistema medi\u00e1tico (de massa, interativo e h\u00edbrido), bem como todos os segmentos de luta pol\u00edtica em torno de espa\u00e7os, cargos e raz\u00f5es (dentro e fora do Estado) giram em torno de discursos e narrativas \u2013 o que se concentra no terreno das pr\u00e1ticas produtoras de conte\u00fado. Esses contextos est\u00e3o sujeitos \u00e0 decisiva espuma simb\u00f3lica dos dias, na qual disputas de todo tipo jogam chances (materiais e simb\u00f3licas) de vida e morte.<\/p>\n\n\n\n<p>A Universidade, ao contr\u00e1rio, est\u00e1 livre para abranger a fun\u00e7\u00e3o socioestrutural tanto dessa espiral de discursos e narrativas, quanto dos sistemas e inst\u00e2ncias tecnoculturais utilizados em sua irradia\u00e7\u00e3o. N\u00e3o por acaso, o presente artigo foi redigido do ponto de vista dessa fun\u00e7\u00e3o macroestrutural \u2013 a da Universidade \u2013, amea\u00e7ada e vilipendiada pela rusticidade volunt\u00e1ria da extrema direita. (A vers\u00e3o completa do texto ser\u00e1 publicada em peri\u00f3dico cient\u00edfico).<\/p>\n\n\n\n<p><em>(<strong>*) Eug\u00eanio Trivinho<\/strong>&nbsp;\u00e9&nbsp;professor do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em comunica\u00e7\u00e3o e semi\u00f3tica da PUC-SP.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Nota<\/strong>: O controverso Projeto de Lei 2.630\/2020, informalmente chamado de \u201cPL das&nbsp;<em>Fake News<\/em>\u201d [ou, para a extrema direita, \u201cPL da Censura\u201d], esteve para ser votado na C\u00e2mara dos Deputados em abril de 2023, depois de aprova\u00e7\u00e3o pelo Senado Federal em regime de urg\u00eancia (ou seja, sem passar por Comiss\u00f5es internas). O Projeto e a rea\u00e7\u00e3o ultraconservadora a ele reacenderam o debate p\u00fablico. Como esperado, as Big Techs atuaram fortemente \u2013 dentro e fora da rede \u2013 contra a aprova\u00e7\u00e3o da proposta. O arrefecimento da pol\u00eamica \u00e9 aparente. A mat\u00e9ria est\u00e1 na ordem do dia. Ela deve legar ao pa\u00eds a respectiva \u201cLei de Liberdade, Responsabilidade e Transpar\u00eancia na Internet.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A regulamenta\u00e7\u00e3o das redes de Big Techs, que pressup\u00f5e regula\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, uma vez juridicamente assentada, tamb\u00e9m \u00e9 politicamente leg\u00edtima, como demanda p\u00fablica e democr\u00e1tica FONTE:&nbsp;https:\/\/aterraeredonda.com.br\/infonegocios-endofascistas\/ Por&nbsp;Eug\u00eanio Trivinho A transi\u00e7\u00e3o enquadrada A suposta desmassifica\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito da comunica\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica \u2013 processo erroneamente associado a diversas formas de apropria\u00e7\u00e3o e uso sociais de tecnologias digitais e interativas, a partir do final dos anos 1960 \u2013 semeou, ao menos, um horizonte irrevers\u00edvel: as plataformas digitais (de relacionamento e participa\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o, busca e consulta, entretenimento e trocas comerciais) representaram, de fato, o tiro de miseric\u00f3rdia no monop\u00f3lio da informa\u00e7\u00e3o controlado por meios anal\u00f3gicos de comunica\u00e7\u00e3o de massa. Na esteira da informatiza\u00e7\u00e3o generalizada, da miniaturiza\u00e7\u00e3o de tecnologias digitais e da cultura de&nbsp;sites,&nbsp;chats&nbsp;e&nbsp;blogs, essas plataformas levaram \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias a transfer\u00eancia, para m\u00e3os comuns, n\u00e3o apenas do assenhoramento direto de todo e qualquer conte\u00fado circulante, como tamb\u00e9m da possibilidade de rea\u00e7\u00e3o imediata a ele e de cria\u00e7\u00e3o a partir dele, al\u00e9m de distribu\u00ed-lo e\/ou irradi\u00e1-lo em cadeia ramificada, com apoio em perfis autocustomizados. \u00c0 propalada \u201cacefalia\u201d das massas consumidoras de&nbsp;media&nbsp;convencionais \u2013 massas telespectadoras, radiouvintes, leitoras etc. \u2013 seguiram-se bilh\u00f5es de cabe\u00e7as interativas, piv\u00f4s de complexa teia de interconex\u00f5es locais, regionais, nacionais e internacionais (alcance geogr\u00e1fico conforme a pot\u00eancia e o alcance do equipamento e da rede em jogo, bem como a capacidade dromoapta \u2013 ligada \u00e0 rapidez \u2013 do usu\u00e1rio). A natureza e a fun\u00e7\u00e3o social-hist\u00f3ricas dessa din\u00e2mica cibercultural, com consequ\u00eancias pol\u00edticas imprevis\u00edveis, est\u00e3o longe de ter sido profunda e definitivamente compreendidas. Para lembrar Jean Baudrillard, remanescem t\u00e3o inc\u00f3gnitas quanto a natureza, fun\u00e7\u00e3o e consequ\u00eancias das massas vinculadas aos sistemas televisivo, radiof\u00f4nico e impresso. Eis o pomo principal: a t\u00e3o necess\u00e1ria conquista pol\u00edtica e cultural da liberta\u00e7\u00e3o dos signos (not\u00edcias, imagens, informa\u00e7\u00f5es etc.) do cativeiro industrial-monopolista de massa e a transi\u00e7\u00e3o comercial deles para&#8230; <\/p>\n<p><a class=\"readmore\" href=\"https:\/\/abciber.org.br\/site\/2024\/05\/11\/eugenio-trivinho-infonegocios-endofascistas-2\/\">Continua<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":14577,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[],"class_list":["post-14625","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-na-midia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14625","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14625"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14625\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14626,"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14625\/revisions\/14626"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14577"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14625"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14625"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/abciber.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14625"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}