A Plataformização da Educação: Entre Algoritmos, Dados e o Risco de Esvaziamento Pedagógico
Resumo
O atual panorama educativo no Brasil, imerso na "virada cibernética", tem na plataformização sua
nova matriz infraestrutural, impulsionada pela retórica da eficiência e da inovação. O presente
estudo propõe analisar criticamente como essa mediação digital, ancorada na racionalidade técnica
(Marcuse, 1964) e na lógica do Capitalismo de Plataformas (Srnicek, 2017) e do Colonialismo
Digital (Silveira, 2021), contribui para a semiformação (Halbbildung) (Adorno, 1995) e o
esvaziamento do professor, distanciando-se do ideal emancipatório da Bildung. A justificativa
reside na urgência de um diagnóstico crítico (Teoria Crítica) que desvele a lógica reificante da
Indústria Cultural, que, ao converter a prática pedagógica em fluxo de dados e vigilância (Van
Dijck, 2013; Evangelista, 2022), a subordina aos interesses extrativistas do mercado. A crítica é
aprofundada pelo diagnóstico de Benjamin sobre o declínio da experiência (Erfahrung) (Benjamin,
2018), onde a reprodutibilidade técnica e a padronização aniquilam a singularidade do encontro
pedagógico. A solução reside na desinstrumentalização da técnica, exigindo sistemas abertos e
flexíveis que empoderem o docente como autor crítico, restaurando a autonomia e dedicando o
tempo à interação dialógica, em vez de consolidar a adaptação passiva e a desigualdade.